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CAMPEONATO PORTUGAL VELOCIDADE - O DIA DE DOMINGO COM EXCELENTES CORRIDAS

Segunda, 14 Setembro 2020 22:05 | Actualizado em Terça, 22 Setembro 2020 09:55

BRAGA ANPAC RACING WEEKEND
Mão cheia de corridas “à antiga”!
Clássicos e quase clássicos querem corridas á antiga e foi isso mesmo que foi servido pelos mais de 50 carros que demandaram o Circuito Vasco Sameiro, em Braga, para o ANPAC Racing Weekend.
Coisas há que parecem ter sido feitas umas para as outras! Por exemplo, o ovo e o bife... dobrada e feijão... praia e calor... homens e mulheres... enfim, poderia estar aqui a desfiar o rosário de coisas que nasceram umas para as outras, mas há duas coisas que parecem, mesmo, um casamento feito pelos deuses: Circuito Vasco Sameiro e carros Clássicos e quase Clássicos!
A pista minhota, que homenageia Vasco Santiago Ribeiro Pereira do Sameiro piloto muito popular em Portugal e no Brasil, é absolutamente sui-generis tendo saído da vontade férrea de alguns em ter uma alternativa ao Autódromo do Estoril. Tem um formato pouco convencional, anda ao contrário dos ponteiros do relógio, parece uma pistola – até tem uma curva chamada... Gatilho! – tem um aeródromo no meio, um asfalto que mastiga pneus e carros e, ainda, um microclima que transforma os dias de corridas em verdadeiras saunas.
Mas há mais... olhando a estruturas como o Autódromo Internacional do Algarve, o Circuito Vasco Sameiro parece aquelas obras toscas feitas a escopro e martelo e não com um preciso cinzel. Porém... dá gosto estar em Braga e, sobretudo, é um gosto enorme estar no circuito de Braga com os Clássicos! Até parece que todo o complexo foi pensado nos Clássicos!
Triste por não ser possível ter público no traçado da Palmeira (a vila onde se situa a pista minhota) foi com imensa alegria que se fez a viagem até à cidade dos Arcebispos para mais um fim de semana de corridas de Clássicos e Legends, os carros que sustentam a velocidade nacional arrastando para Braga mais de 50 viaturas!
Viagem atribulada, pois o carro escolhido para a deslocação decidiu fazer birra – lá está... pensava ser um Clássico! – e parou a meio do caminho com uma ficha de plástico que decidiu desligar-se. Só porque sim!
Passaram alguns anos desde a última vez que passámos pelos portões do Circuito Vasco Sameiro, mas foi um regresso ao passado saboroso e com o cheirinho habitual: gasolina e borracha! E os adoráveis Clássicos e Legends para todos os gostos, com decorações mais ou menos bonitas, condição mais ou menos perfeita, enfim, o que interessa é que mais de cinquenta carros invadiram Braga.
Como o Circuito Vasco Sameiro e os Clássicos foram feitos um para o outro, as quatro provas – duas para os Clássicos e Clássicos 1300 e duas para os Legends – serviram corridas plenas de emoção e com resultados inesperados. E nesse sentido, as mecânicas reclamaram destaque ou por amuarem e deixarem os seus pilotos de olhar triste perante o abandono, ou porque reclamavam do insuportável calor do circuito bracarense.
Por outro lado, tanto carro em pista acabou por permitir alguns desentendimentos e um deles acabou por ter reflexos na classificação final da última corrida dos Clássicos e Clássicos 1300: João Macedo Silva comandava a prova com o seu lindíssimo Porsche 911 RSR e quando se preparava para ultrapassar Carlos Cruz, o piloto do Datsun 1200 verde não se apercebeu do 911 laranja e os dois acabaram por embater, fazendo Macedo Silva perder a oportunidade de “limpar” o fim de semana. Um incidente de corrida do qual Carlos Cruz, na sua habitual cordialidade, se responsabilizou. Coisas que são normais numa corrida de clássicos... ou seja, uma corrida á antiga!
Joaquim Jorge, ao volante do muito bem preparado Ford Escort RS, não desprezou a oportunidade e venceu esta segunda corrida dos Clássicos onde teve intensa luta com Rui Alves também ele em Ford Escort e com João Macedo Silva a conseguir “salvar” o terceiro lugar final. A categoria 1300 conheceu menos animação por culpa de um Luís Alegria que esteve imparável com o seu Datsun 1200 já vencedor da primeira corrida.
E nessa primeira manga do Braga ANPAC Racing Weekend dedicada aos Clássicos e Clássicos 1300, João Macedo Silva conseguiu a vitória no regresso do Porsche 911 RSR às pistas após a passagem pelo Autódromo Internacional do Algarve, palco da primeira jornada da competição. Uma passagem que foi atribulada pelos problemas de motor do carro alemão, totalmente debelados antes da chegada a Braga.
Assim, com o seis cilindros “boxer” a cantar a plenos pulmões – e que lindo é o barulho do motor, parede um tenor! – João Macedo Silva encontrou o caminho da vitória, embora Joaquim Jorge e Rui Costa tenham retirado tudo e mais alguma coisa que houvesse nos motores dos seus Ford Escort RS para manterem a pressão sobre o mais poderoso Porsche. Macedo Silva não cedeu, o 911 RSR também não, e o comando não mudou de mãos. Não deixando o piloto nortenho de protagonizar um momento bizarro já depois de terminada a corrida, fazendo um pião em cima de óleo espalhado na pista. Acontece!
Um dos protagonistas da primeira jornada dupla do Campeonato de Portugal de Clássicos e Clássicos 1300, Carlos Vieira, não esteve nos seus dias. Aliás, o Ford Escort RS1600 é que não esteve nos seus dias e mais parecia um homem na andropausa, tantos foram os problemas que provocou, nomeadamente, de embraiagem.
Perdendo lugares no arranque e com uma caixa recalcitrante, Carlos Vieira escalou até ao segundo lugar, fez a volta mais rápida e desentendeu-se com Rui Costa. Um ligeiro toque partiu a direção do Escort, mas o abandono era inevitável pois a caixa de velocidade já tinha entregue a alma ao criador. Este abandono depois de tantos problemas foi o passaporte para arrumar a trouxa e zarpar sem participar na segunda manga.
Contas feitas á primeira corrida dos Clássicos e Clássicos 1300, nas diversas classes, para além da vitória de Luís Alegria nos Clássicos 1300 e de João Macedo Silva nos Clássicos, o piloto do Porsche 911 RSR venceu a categoria H75, António Soares (Ford Escort RS MKI) foi o melhor no GR.5, Jorge Cruz (BMW 323i) venceu nos H81, João Peixoto (Mini Cooper S) liderou os H71 e Carlos Barbot (Lotus Elan 26R) foi o melhor nos H71-T1600.
Já na segunda corrida, nas diversas classes, para além da vitória de Luís Alegria nos Clássicos 1300 e de Joaquim Jorge nos Clássicos, o piloto do Ford Escort RS venceu a categoria H75, Rui Azevedo (Ford Escort RS) foi o melhor no GR.5, Jorge Cruz (BMW 323i) venceu nos H81, Mota Freitas (Mini Cooper S) liderou os H71.
Legends com domínio de Paulo Sousa
Nos Legends, as mecânicas foram decisivas para a escolha dos vencedores. Na primeira corrida, Manuel Fernandes repetia o domínio exercido no Algarve quando o BMW 320d começou a dar sinais de cansaço e decidiu começar a aquecer. O piloto de Vila Real quis preservar a mecânica e reduziu o andamento o que deixou via aberta para o BMW M3 E30 de Paulo Sousa que viu recompensado o seu trabalho de pressão sobre Manuel Fernandes. Ganha a prova de abertura do ANPAC Racing Weekend, acreditava-se que a segunda manga seria ainda mais disputada, até porque poderiam surgir mazelas no motor do carro que seria, agora, pilotado por Hugo Mestre.
Os prognósticos cumpriram-se na totalidade: o BMW 320d ficou magoado depois da primeira corrida e apesar de ter permitido que Hugo fosse o Mestre da corrida até cinco voltas do final, voltou a amuar e Paulo Sousa – que fechou a primeira volta na frente – sorriu ao ver a passadeira vermelha a desenrolar-se rumo à segunda vitória do dia.
Porém, os deuses das corridas estavam endiabrados e de uma forma também ela muito clássica, intrometeram-se e numa última volta absolutamente inglória para Paulo Sousa, o seu BMW decidiu que não andava mais e entregou de bandeja a vitória, a Hugo Mestre que fez uma excelente corrida a mimar o azougado motor do BMW 320d.
A história poderia acabar aqui..., mas lá está, os deuses do automobilismo estavam, mesmo, descontrolados e a vitória acabou, mesmo, no colo de Paulo Sousa. Como?! Houve um equívoco, daqueles que podem acontecer a todos nós, e os pilotos dos Legends fizeram 17 voltas ao invés das 16 que os 25 minutos de prova permitiram. Como é que isto foi possível? Os organizadores entenderam que a duração da prova seria 25 minutos mais uma volta, o que não correspondia á verdade.
Assim, apesar do abandono na volta que não contou, Paulo Sousa passou em primeiro no final da 16ª volta e, por isso, foi o vencedor “limpando” o fim de semana com o seu BMW E30. No segundo lugar ficou Hugo Mestre, a mesma classificação obtida por Manuel Fernandes na primeira corrida.
Contas feitas às categorias da primeira corrida, Paulo Sousa (BMW M3 E30) venceu a Livre, enquanto António Barros (BMW M3) ganhou entre os L99. Nos L99-2000, o melhor foi Tiago Ribeiro (Honda Integra Type R), nos L90 ganhou Rui Garcia (BMW M3), enquanto que nos L90-1300 e L90-2000, foram Nelson Silva (Peugeot 205 Rallye) e Hugo Branquinho (Honda Civic), respetivamente, a vencer. Finalmente, o BMW 635 CSI de Pedro Oliveira ganhou nos L85, enquanto nos Feup 2 e 3, primeiro lugar, respetivamente, para Rui Silva (Fiat Punto) e Gustavo Moura Jr. (Alfa Romeo 156).
Na segunda corrida, Paulo Sousa (BMW M3 E30) venceu na Livre, enquanto António Barros (BMW M3) ganhou entre os L99. Nos L99-2000, o melhor foi Tiago Ribeiro (Honda Integra Type R), nos L90 ganhou Rui Garcia (BMW M3), enquanto que nos L90-1300 e L90-2000, foram Nelson Silva (Peugeot 205 Rallye) e Hugo Branquinho (Honda Civic), respetivamente, a vencer. Finalmente, o BMW 635 CSI de Pedro Oliveira ganhou nos L85, enquanto nos Feup 2 e 3, primeiro lugar, respetivamente, para João Sousa (Fiat Punto) e Gustavo Moura Jr. (Alfa Romeo 156).
O Campeonato de Portugal de Velocidade Clássicos, Clássicos 1300 e Legends vai, agora, retemperar forças, recuperar as máquinas e estará de regresso com mais ação das três disciplinas nos dias 6 a 8 de novembro, encerrando a azougada temporada de 2020 já em dezembro, nos dias 5 a 6, no Autódromo do Estoril.
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