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NACIONAL - RALIS - O REGRESSO DE MARTIN PEREIRA À COMPETIÇÃO

Quarta, 20 Março 2019 13:31 | Actualizado em Quinta, 12 Setembro 2019 13:33

Depois de ter descansado um pouco e ter tido tempo para refletir sobre este fim-de-semana, é tempo de fazer um balanço.

Poucas coisas igualam o sentimento de se ser piloto. O nervosismo e a excitação antes do começo. O stress e a concentração durante e o desfrutar no fim. A contagem decrescente do 30, depois 20, 10, 5, 4, 3, 2, 1, luz verde. O queimar uma travagem, o cortar uma curva, o não ter a certeza do que vem a seguir mas confiar na nota. O ver que a curva que antes não dava para ser feita a fundo dá para fazer, a aflição de o carro fugir mas ir apanhá-lo outra vez. Passar a tomada de tempos sabendo que se deu o melhor de si. O ver, sentir o incentivo dos adeptos. O ouvir de uma buzina num gancho, o bracejar no meio de uma recta. Tantas outras pequenas, grandes coisas.

Foi a minha primeira prova em quase 10 anos. Desde que tive o meu acidente na Rampa da Penha que nunca mais tinha competido. Demorei a recuperar. Durante muito tempo tive medo de voltar, frustração e até vergonha por ter tido o acidente. E durante muito tempo não enfrentei o fantasma de frente. Não aparecia nas corridas, fui-me afastando do meio, fui procurando passar nos pingos da chuva.

Comecei a mudar de postura há uns 4, 5 anos, quando experimentei uma barchetta num kartódromo. Tudo o que tinha reprimido durante tanto tempo começou a ser libertado. A partir desse momento sabia que queria voltar. Demorasse o tempo que fosse necessário, mas haveria de voltar.

O meu pai decidiu regressar à competição no ano passado, e acabei por navegá-lo em dois ralis. Foi uma excelente experiência, mas não considerei esses dois ralis como um regresso. Não o era. Já tinha enfrentado o fantasma de frente, mas ainda não o tinha vencido. Não tinha ainda voltado a conduzir.

Quando o Fred me ligou no sábado dia 9 de Março às 15:40h da tarde a dizer que no fim-de-semana seguinte iria fazer o Rally Medieval de Ourém, foi avassalador. Pânico inicial, oh meu Deus, vai acontecer, felicidade absoluta, depois. A semana seguinte foi um pouco de loucos, a ver vídeos dos troços, fazer inscrições, fazer exame médico para tirar a licença desportiva, tratar da logística.

No fim, correu tudo bem. Correu tudo mesmo muito bem. Diverti-me imenso, cheguei ao fim. Nada poderia ter corrido melhor.

Muito mais importante do que o resultado final, foi ter tido a oportunidade de estar junto de amigos, fisicamente, virtualmente, muitos, tantos, que estavam tão felizes como eu por ter tudo corrido pelo melhor. Por eu estar de regresso, por o velho Martim ainda estar aqui dentro. A todos vocês, a minha profunda gratidão.

Uma imagem vale mais que 1000 palavras.

Venci o meu fantasma.

Estou de volta.


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