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NACIONAL - RALIS - A QUESTÃO DAS INSCRIÇÕES

Sexta, 10 Maio 2019 06:35 | Actualizado em Sexta, 22 Novembro 2019 06:51

As inscrições nos ralis são tema

 

 

ACOR

Recentemente uma autodenominada Comissão de Pilotos, “lançou uma cruzada” contra o valor das inscrições praticadas nos ralis dos campeonatos regionais.

A autodenominada Comissão de Pilotos tentou forçar as organizações a baixarem as inscrições para 250,00 Euros, o que é totalmente incomportável para qualquer clube que organize provas.

Hoje em dia, a organização de um rali obriga a gastos incontornáveis, nomeadamente com segurança. A saber:

Por cada concorrente o clube organizador paga 38,00 Euros de seguro e 25,00 Euros por um localizador GPS, equipamento que é fundamental em caso de acidente, pois permite um imediato accionamento de meios em caso de acidente. Estes valores estão já incluídos no preço da inscrição, tal como o IVA à taxa legal.

Cada elemento dos bombeiros e das forças policiais, fundamentais para a manutenção da segurança é pago a partir de 12,50 Euros à hora, durante as provas. Estes são penas dois exemplos básicos de gastos relativos de cerca de uma vintena de itens de custos em cada prova.

Quanto aos valores de inscrição em ralis, gostaríamos igualmente de alertar para o seguinte caso, explicado em linguagem para leigos no que a ralis diz respeito:

Qualquer concorrente que pretenda participar, terá antes de mais que ter um carro. Imaginemos que compra um pequeno hatcback de 1.600 cm3, duas rodas motrizes, já com 20 anos. Gastará, no mínimo cerca de 3.000,00 Euros, a contar por baixo. De seguida, terá que preparar o carro e vamos partir do princípio que a intervenção apenas passa pela montagem de órgãos de segurança (bancos de competição, cintos e gaiola de segurança, equipamentos ignífugos e capacetes) e suspensões e facilmente a factura vai superar os 3.000,00 Euros.

Depois vai participar numa prova com cerca de 170 a 180 Km´s, dos quais 50 são troços cronometrados. Para conter custos vai no utilitário que usa todos os dias, apenas acompanhado do navegador. Imaginando que gasta entre sete e meio e oito litros aos cem, vai gastar qualquer cosia como 21 a 22,00 Euros de combustível. Certamente que vai comer umas sandes que leva num merendeiro e junta mais dez Euros à conta. A treinar gastou 30,00 Euros, com grande optimismo, e não foram contabilizados gastos de desgaste do automóvel, portagens, nem combustível desde casa até ao local dos treinos.

Chegados ao dia da prova e ao carro que já ficou por mais de 6.000,00 Euros, tem que juntar quatro pneus, que é o minimamente indispensável. Imaginemos que são pneus de competição, para jante 16” e em segunda mão, gastou de 400,00 a 600,00 Euros e foi totalmente inconsciente, pois colocou a segurança em causa. Gastou mais ou menos 40 litros de combustível comercial, o que dará qualquer coisa como 60,00 Euros.

Alem disso levou uma carrinha, com dois amigos a fazerem a vez de mecânicos. Ambos comeram duas refeições e deslocaram-se num comercial ligeiro, gastaram mais cem Euros… com optimismo.

Após a prova, em que não teve qualquer percalço, fez uma revisão às suspensões e uma revisão à mecânica e facilmente gastou mais 400,00 Euros. Com contas muito optimistas, o rali ficou em 1.060,00 Euros, sem contar com o carro.

As inscrições para a próxima prova têm um custo de 320,00 Euros. O proposto pela autodenominada Comissão de Pilotos é de 250,00 Euros. Ou seja está a ser discutida uma verba de menos de sete por cento de um orçamento muito optimista. Além disso, se pensarmos que num automóvel competitivo, os custos inerentes à participação facilmente se aproximam de cem Euros por quilómetro de troço cronometrado, então aí estaremos a falar de 1,4% do orçamento por prova, em termos de inscrição. É neste tipo de valores que assenta o protesto da autodenominada Comissão de Pilotos.

A participação em qualquer prova desportiva, motorizada ou não, implica normalmente uma inscrição paga, que serve para que entre outras coisas, as organizações possam melhorar temas como a segurança. Para as organizações de ralis, em Portugal, a segurança é um tema sério e que não pode ser descurado, tal como a grande maioria dos pilotos nacionais concorda.

 


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