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NACIONAL - ECOKART

Sexta, 24 Agosto 2018 11:57 | Actualizado em Terça, 12 Novembro 2019 05:41

Abaixo fornecemos a tradução da entrevista que a jornalista Michaela Gerganoff veio fazer a Portugal a António Gonçalves Pereira, mentor da Ecokart Portugal, para o magazine alemão AIOmag.

Pode encontrar o artigo original aqui.

Entre parentisis, com a indicação 'NT', terá algumas notas de tradução.

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EcoKart: os karts elétricos tornam a e-mobilidade popular em Portugal

Em Portugal, ainda não há pistas com karts elétricos. Conhecemos António Pereira, que quer mudar esta situação com a EcoKart Portugal.

Descubra neste artigo:

. Como converter todos os karts para elétricos com a EcoKart

. Porque os karts elétricos prometem ainda mais prazer de condução do que os karts convencionais

. Como António Pereira quer transformar os seus eventos de eco-kart numa espécie de mini-Fórmula E

António Pereira é apaixonado por karts. Mas a sua consciência não conseguiu manter-se ligada aos motores a combustão barulhentos dos mini-carros de corrida convencionais. É por isso que ele organiza eventos de eco-kart desde 2005 - desde 2011 os seus eventos são livres de combustíveis fósseis.
(datas correctas: 1999 / 2016 - NT)

O fundador da EcoKart conversou com a AIO sobre karts elétricos em Portugal, a conversão de velhos karts, eco-eventos em torno do tema da mobilidade elétrica e o som tranquilo do ecokart.


AIO: Como você chegou aos karts?

António Pereira: Já em criança gostava de automobilismo. Mas os meus pais não tinham como financiar-me as corridas. Quando cresci e tinha uma agência de comunicação e eventos, comecei a correr em karts amadores. Coincidentemente, a partir de 2000, comecei a organizar um evento de kart VIP em Portugal (Corrida das Estrelas - NT). E, em 2005, fui um dos responsáveis por um evento de eco-karts em Lisboa. Esse foi o momento em que uma alavanca foi colocada na minha cabeça: "Poluir por diversão? De jeito nenhum!". 1 litro de gasolina queimada emite 2,6kg de carbono!


AIO: Como era então a tecnologia?

AP: Retrospectivamente, esses modelos não eram uma alternativa real: ainda tinham baterias de chumbo, tinham apenas 20 minutos de autonomia e precisavam de ser recarregados por seis horas. Os carregadores eram enormes - do tamanho de frigoríficos!


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EcoKart: o kart torna-se elétrico

AIO: E como isso continuou?

AP: Em 2008, parei com o grande evento de karting. E a partir de 2011 não corri mais. Não conseguia conciliar isso com a minha consciência. Uma e outra vez eu conversei com executivos de empresas sobre o assunto, mas a conversa caía em ouvidos surdos. Em 2015, uma amiga disse-me: "António Pereira, está na hora da EcoKart!". Ela é agora madrinha do projecto.
(trata-se da jornalista Fernanda Freitas - NT)


"Existem milhares de karts em todo o mundo. O que se deve fazer com eles? Sucata?"


aio: Qual é o objetivo da EcoKart Portugal?

AP: É uma plataforma, não uma empresa. Basicamente, somos uma espécie de embaixadores da sustentabilidade, com múltiplas missões: mostramos que o elétrico não é apenas o futuro, mas já o presente. Ao contrário da Alemanha, não há ainda uma única pista de karts elétricos em Portugal. Queremos convencer os proprietários das nossas cerca de 30 pistas de karts a converterem os seus veículos para elétricos. Cooperamos com universidades como o Instituto Superior de Engenharia de Lisboa.

Existem milhares de karts em todo o mundo. O que se deve fazer com eles? Sucata? Comprar novos? Esta não é uma solução sustentável - tem uma grande e irracional pegada. Nós estamos a propor converter os karts existentes para elétricos por um valor semelhante ao de um kart novo a gasolina.


AIO: De que valor estamos a falar?

AP: Um kart de alta qualidade em Portugal custa cerca de 6.500 euros, mais impostos. Essa é a quantia de referência para a conversão. Sem extras, como controle remoto, etc. Um ecokart é um computador sobre rodas! E incluimos dois conjuntos de baterias, para que uma esteja a carregar enquanto a outra circula no ecokart.


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Mais prazer de condução com karts elétricos


AIO: Também estamos interessados em detalhes técnicos.

AP: De bom grado! O ecokart (versão para aluguer - nt) tem um motor de 10 Kw com 15 Kw de pico. Para os proprietários de uma pista, recomendamos a utilização de baterias de 75 amperes com um carregador de 105 ou 140 amps. Numa pista de kart indoor – onde há a necessidade de ação mais urgente por causa das altas emissões - a autonomia é de cerca de 45 minutos. A outra bateria demora 32 a 40 minutos a carregar. Este é um grande passo, considerando que até agora eram necessárias duas frotas de karts: uma em uso e outra a carregar.


AIO: Quais são os custos de eletricidade?

AP: Os karts de aluguer a gasolina consomem cerca de 6 euros por hora. Após a conversão, é menos de 1 euro! Ou menos ainda com painéis solares. E esta mensagem também pode ser passada para os utentes.


"Assim que acelera, toda a potência está disponível"


AIO: O prazer de dirigir no kart elétrico é diferente?

AP: Comparado com os a gasolina é muito mais divertido! Tem-se torque imediatamente! Assim que acelera, toda a potência está disponível. Não estamos acostumados a isso com um motor de combustão interna - porque é preciso subir rotações para ter toda a potência, numa curva de binário ascendente. O motor tem que esforçar-se para se atingir a potência máxima. Com os ecokarts, até programamos uma curva de binário negativa, para termos toda a potência no arranque mas depois pouparmos energia, quando já vamos embalados e não precisamos dela. O que tem um efeito colateral positivo: maior autonomia.


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Eco-karts: As eco-corridas ou mini-Fórmula E


AIO: Que outras atividades desenvolve a EcoKart Portugal?

AP: Em 2016 fizemos a primeira participação de um kart elétrico numa corrida de 24 horas, que eu saiba. Esse sistema foi depois passado para um ecokart de dois lugares, que foi apresentado em março de 2007 (correcção: Agosto de 2016 - NT). Desde então, corremos o país a fazer eventos "EcoVoltas Solidárias" e "Green Experience", para sensibilizar o público para a mobilidade elétrica.

Para as EcoVoltas Solidárias, montamos uma pequena pista e, em seguida, o público pode fazer algumas voltas ao lado de um dos nossos pilotos - efectuando um donativo a organizações e associações de missão social que precisam urgentemente de ajuda. As "Green Experiences" têm maior dimensão, pois adicionamos outras experiências sustentáveis: e-bikes, scooters elétricas, carros elétricos, carros solares, várias opções de recarga, e outras alternativas elétricas e solares. Aliás, ambos os formatos são acções oficiais da "Semana Europeia da Mobilidade".


"Posso instalar-lhe qualquer som que queira, de Aston Martin a Ferrari. Ou até mesmo Mozart!"


AIO: Com base na sua experiência, como podem ser convencidos os seus interlocutores?

AP: O primeiro passo é alcançado colocando-os num Ecokart e dando uma volta. Mais de metade dos preconceitos dissipam-se de imediato. Mas sempre há objeções como: "Mas, Senhor Pereira, sinto falta do barulho do motor". Ao que eu sempre respondo: "Posso instalar-lhe qualquer som que queira, de Aston Martin a Ferrari. Ou até mesmo Mozart!".


(apesar de mencionadas em título, as Ecokart Races - ou mini-Fórmula E, como a AIOmag lhes chamou - acabaram por não ser explicadas. Trata-se de grandes eventos no centro das cidades, com corridas por equipas – de patrocinadores, media e câmaras municipais – e com uma vertente 'Green Experience' de grandes dimensões para o público. Início previsto para o verão de 2019 - NT)


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