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Mundial - Fórmula 1

CAMPEONATO MUNDO DE FÓRMULA 1 - SEGUNDO A OPINIÃO DE HELDER DE SOUSA - JORNALISTA

Terça, 27 Novembro 2018 05:46 | Actualizado em Terça, 22 Outubro 2019 21:10

A Fórmula 1 é impiedosa

Hoje arrisco-me a regressar a uma área onde fui muito feliz e me realizei como jornalista e como pessoa, a área do jornalismo especializado em automobilismo, uma actividade que passados uns anitos, ainda "mexe comigo". Não resisti à chamada, ao pensar nos jovens pilotos que entraram nos últimos anos na Fórmula 1 e já lá não estão e nos que vão entrar na próxima época, numa disciplina onde, bem feitas as contas, tudo é muito passageiro.
O automobilismo de alta competição é uma disciplina muitissimo difícil de permitir manter uma situação sustentável para os jovens pilotos que decidiram fazer carreira na Fórmula 1. Para além da constante e nem sempre bem resolvida luta pelos apoios financeiros - para um jovem conseguir obter um lugar na Fórmula 1 são precisos alguns milhões de euros (ou dólares americanos) - os jovens pretendentes têm de passar pelas várias disciplinas intercalares onde, corrida a corrida, são obrigados a mostrar que são vencedores natos para darem nas vistas e verem os seus nomes chegarem à grande imprensa, televisiva e escrita.
É uma luta metro a metro, segundo a segundo onde só os muito bons é que aparecem nos títulos dos jornais ou nas imagens da televisão. Não há meios termos nesta corrida dentro das corridas. Só duas classificações possíveis: ou ganhar e subir ao pódio, ou não ganhar e continuarem anónimos.
Nos últimos anos temos vindo a assistir à chegada de jovens pilotos à Fórmula 1 cujos nomes eram totalmente desconhecidos do grande público. Vieram de disciplinas inferiores, mostraram grande talento mas, se a mala de dolares não passar de uma simples e fina carteira, vão, quando muito, para a sala do simulador fazer corridas e testes de play-station, para os engenheiros da equipa pouparem uns cobres e ganharem tempo.
Vem esta introdução a propósito de uma notícia que li na AutoWeek, sobre a entrada do jovem Alexander Albon - 3º classificado no Campeonato de Fórmula 2 -, para o lugar de Brendon Hartley na equipa satélite da Red Bull, a Toro Rosso.
Albon vai ter ao seu lado na equipa, um regressado à F1, o russo Daniil Kvyat, que foi dispensado durante a época que acabou recentemente em Abbu Dhabi.
Não sei se o Kvyat trouxe de novo uma mala de muitos dólares (ou rublos), ou se na Red Bull tiveram um rebate de consciência e o Dr. Helmut Marko, responsável pelo desenvolvimento do Team, o foi buscar dada a sua experiância anterior para compensar a inexperiência de Albon, que estava confirmadissimo nas listas de inscritos em nome da Nissan para correr na Fórmula E.
Deduzo que a Fórmula 2, este ano, foi boa madrinha para os três primeiros do Campeonato. George Russel, o vencedor, vai para a Williams e o segundo classificado, Lando Norris, vai para a Mac Laren de onde se despediu, recorde-se, o grande Fernando Alonso.
Correndo com licença desportiva tailandesa, Albon vai ser o primeiro tailandês a ingressar na Fórmula 1. E logo à sombra da Red Bull. É certo que nos anos cinquenta houve um nobre gentleman driver tailandês nas pistas, o Principe Bira que guiava, por sua conta, um Maserati, entre outros, nos primórdios da Fórmula 1.
Faltam-me elementos exactos - e fidedignos, já agora -, para desenhar os contornos destas admissões. Estou convicto de que não foi só pelo talento.
O tempo, esse admirável companheiro fugidio que ninguém pode recuperar depois de perdido, ditará da bondade destas entradas e saídas na alta roda das corridas, onde os sonhos se cruzam e chocam com a dura realidade de ter de obter resultados. A glória é efémera no mundo dos 300km à hora.
Na linguagem automobilística inglesa usa-se com frequência um verbo que significa "entregar", "fornecer", "obter resultados" - é o verbo "to deliver", que resume, numa só palavra, a impiedade existente na Fórmula 1. São descartáveis estes jovens. Os patrões sabem que há mais vinte tão bons ou melhores na lista dos possíveis. Na Fórmula 1 não há contemplações. Ou "entregas" ou "sais fora".
HS


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