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Mundial - Fórmula 1

CAMPEONATO MUNDO DE FÓRMULA 1 - 2019 - SEGUNDO A OPINIÃO DA F1 FLASH SOBRE O GRANDE PRÉMIO DE INGLATERRA

Sábado, 20 Julho 2019 11:20 | Actualizado em Sexta, 18 Outubro 2019 20:21

HAMILTON LIDEROU MAIS UM «SHOW» DA FÓRMULA 1
COM DUELOS, TOQUES E INCIDENTES… SEM POLÉMICAS!

Segunda corrida seguida de grande espectáculo no Mundial de Fórmula 1, mesmo se a Mercedes voltou ao «normal», impondo os seus carros na sétima dupla em dez corridas… Lewis Hamilton cumpriu o sonho de se tornar o piloto com mais vitórias na sua corrida, obtendo a sexta vitória em Silverstone (deixou Clark e Prost, com cinco) e reforçou a liderança no Mundial, agora com 39 pontos de vantagem sobre Bottas. Mas a prova britânica teve muito que contar e duelos fantásticos de nos prender ao ecrã até final!

É verdade que Hamilton teve alguma «estrelinha» (e não foi a da Mercedes…) nesta vitória, pois a entrada do «safety car» em pista devido a um despiste de Giovinazzi (Alfa Romeo) serviu-lhe numa bandeja de ouro um triunfo que iria ter de discutir até final com Valtteri Bottas, a mostrar-se muito forte na pista britânica. Contudo, o finlandês foi um dos grandes prejudicados pelo «timing» do «safety car» (também Lando Norris) e acabou por conseguir limitar danos que poderiam ter sido maiores com o 2.º lugar permitido pela óbvia superioridade do seu carro.

Tal como o segundo treino de sexta-feira deixara antever, o ritmo de corrida dos Mercedes era superior ao dos Ferrari e Red Bull que se equiparavam. Resultado: depois de uma partida tranquila, em que os arranques foram de tal forma semelhantes que as distâncias se mantiveram até à primeira verdadeira curva (a terceira), nem havendo grandes discussões de posição, desenharam-se vários duelos. Bottas lutava arduamente com Hamilton pela liderança, lembrando os tempos dos duelos Rosberg-Hamilton, mas conseguindo segurar o comando, depois de um «corpo-a-corpo» emocionante!

Logo atrás, Leclerc reeditava a luta com Verstappen, com momentos memoráveis de luta dura mas leal, com alguns toques de rodas, mas sem ninguém facilitar um milímetro. E Gasly pressionava Vettel que lhe ganhara a posição na partida, mas não conseguia escapar à pressão do Red Bull. Norris colocara o McLaren à frente do Renault de Ricciardo, mas todos sabemos que o australiano não é de se ficar… Os primeiros vinte minutos de corrida foram, pois, verdadeiramente endiabrados e excitantes!

Com o início das trocas de pneus, foi estranho ver a Mercedes repetir os pneus médios no carro de Bottas (tal como a Red Bull fez com Verstappen), o que os deixaria vulneráveis em caso de haver um «safety car», pois teriam sempre de parar mais uma vez. E foi o que sucedeu logo depois, pouco antes de Hamilton ser chamado às «boxes». O Alfa Romeo de Giovinazzi ficou «plantado» numa escapatória, o «safety car» teve de entrar em pista e Hamilton (que numa paragem normal iria voltar à pista atrás de Bottas), acabou por ter uma troca de pneus «de graça», pois todos os carros tiveram de baixar imediatamente o seu ritmo.

Ao montar pneus duros e voltando à pista à frente de Bottas, Hamilton já não precisaria de lutar pela vitória, apenas tinha de manter um ritmo rápido para que o finlandês o seguisse e conseguisse uma margem boa para manter o 2.º lugar quando tivesse de parar de novo. Seria ajudado nisso, mais tarde, por Vettel, outro dos beneficiados com o «safety car» (tal como Sainz da McLaren e Kvyat, da Toro Rosso, que largara de 17.º). Outro grande prejudicado dos homens da frente foi Lando Norris (McLaren) que ficou numa situação semelhante à de Bottas, enquanto Ricciardo (Renault) montava pneus duros, ficando na posição de Hamilton.

Os Mercedes estavam imparáveis em ritmo de corrida e chegavam a rodar quase 1 s por volta mais rápidos que a concorrência, mesmo sem dar a entender que estivessem a forçar demasiado! É verdade que rodavam num «comboio domingueiro», enquanto Ferrari e Red Bull continuam em luta entre eles, acabando por perder tempo para Bottas que procurava desesperadamente uma vantagem superior a 20 s para a paragem extra que ainda teria de fazer…

Não que o finlandês não fosse capaz de a encontrar, mas Vettel cometeu mais um erro e acabou por lhe facilitar a vida quando, em novo escaldante duelo com Verstappen, atirou o Red Bull para fora de forma desastrada! O holandês já tinha passado o alemão numa manobra exemplar, mas o ferrarista tentou contra-atacar, avaliando muito mal as distâncias e entrando pela traseira do Red Bull, catapultando-o para fora da pista… Impressionante a resistência daquele carro que, depois do voo sobre o corrector, continuou em condições de prosseguir em prova e terminar em 5.º…

Ou quase! «Nem sei como levei o carro até final, perdi a assistência da direção, o meu banco ficou solto, andava a ‘nadar’ lá dentro e quando saí do carro todo o chão e a traseira estavam destruídos», contou Verstappen. Já Vettel teve de ir à «box» trocar a frente do Ferrari, caiu para o fim da tabela, foi penalizado em 10 s e, quando saiu do seu carro, foi imediatamente ter com Verstappen pedir-lhe desculpa pelo sucedido. Deve ter sido o ponto mais alto de um fim-de-semana demasiado discreto para o alemão da Ferrari… «Foi um erro meu, por um segundo achei que ele ir abrir um espaço à esquerda por onde poderia meter, mas acabou por não abrir e, nessa altura, já era demasiado tarde e bati-lhe».

Lá na frente, Hamilton mantinha os pneus duros em perfeitas condições, enquanto Bottas, já com a tal margem de que necessitava (Leclerc estava a 23 s), parava para montar pneus macios (usados) a oito voltas do final. Pelo menos somaria um ponto da volta mais rápida que fez logo de seguida... pensava-se. Mas a grande surpresa e a cereja no topo do bolo tinha Hamilton guardada para a derradeira das 52 voltas a Silverstone: com 32 voltas nos pneus duros, aplicou-se e bateu o tempo de Bottas, estabelecendo o novo recorde da pista britânica, roubando aquele ponto extra ao finlandês!

Daí esta ser uma grande vitória do piloto britânico, deixando a ideia de que, se calhar (e os «ses» serão sempre «ses»…), mesmo sem a influência do «safety car» e com estratégias iguais teria acabado por bater Bottas… Nunca o saberemos, é um exercício que pouco interesse tem… Horas depois da corrida terminar, ainda Hamilton desfrutava deste triunfo em permanente «crowdsurfing» com a multidão que teimava em manter-se em Silverstone. «Até estou sem fôlego, não posso dizer quão orgulhoso estou! Todos os anos que aqui venho há mais bandeiras, nunca me habituo, parece a primeira vez, espero que tenham gostado!» E, claro, o reconhecimento à sua equipa, em especial depois do péssimo fim-de-semana da Áustria: «Não o poderia ter feito sem os fantásticos membros desta equipa, são 1200 pessoas que tornam isto possível e dou-lhes imenso valor!».

Já Bottas estava visivelmente desapontado por ter visto escapar-lhe por entre os dedos, pelo menos, a oportunidade de lutar com Hamilton até final… «Não tenho muito a dizer, a não ser parabéns ao Lewis. Parei primeiro e tinha tudo sob controlo, mas com o ‘safety car’ o Lewis ganhou um ‘pit stop’ de graça e apanhou-me aí. Não há muito mais a dizer. Mas há coisas positivas a tirar deste fim-de-semana, a volta da qualificação foi uma delas. E vou continuar a lutar, não haja dúvidas sobre isso».

Já Charles Leclerc reconheceu ter-se divertido com o duelo travado com Verstappen e… os ensinamentos da última prova! «A última corrida abriu-me os olhos e mostrou-me até onde posso ir. E foi bom para a Fórmula 1, para ter mais emoção e luta», comentou o ferrarista que chegou a ser um «osso bem duro de roer» para o holandês. «Foi talvez a corrida de que mais gostei na minha carreira na F1, mas foi um dia muito difícil. Com os pneus duros fomos muito fortes, mas com o ‘safety car’ perdemos a posição, não era onde queríamos estar, mas acabámos bem».

Com todos os acontecimentos, Pierre Gasly pode ter esvaziado um pouco a pressão em que estava dentro da Red Bull pois, pela primeira vez, terminou à frente de Verstappen, independentemente das peripécias do holandês… Afinal, foi um fim-de-semana em que o francês conseguiu elevar o seu nível e arranjar uma boa margem de benefício de dúvida!

Foi animada a luta pelo «melhor dos outros», no segundo pelotão, com fantástico duelo entre McLaren e Renault, de novo favorável à primeira. E quando Norris caiu na classificação por influência do «safety car», surgiu Carlos Sainz com mais uma corrida de trás (13.º) para a frente e a resistir muito bem aos ataques de Daniel Ricciardo a mostrar melhorias por parte dos Renault, embora a deixar evidente que, a nível aerodinâmico, o McLaren é melhor…

Quase sem se dar por isso, Kimi Raikkonen lá fez uma prova tranquila levando o Alfa Romeo de novo aos lugares pontuáveis, um segundo à frente de um Daniil Kvyat que subiu com o Toro Rosso de 17.º até 9.º, beneficiando também do «timing» do «safety car». Hulkenberg (Renault) fechou o «top ten» de onde saiu, já na fase final, um Alex Albon (Toro Rosso) que fizera uma grande corrida, mas com uma estratégia quase impossível: uma única paragem com pneus macios e médios tinha de acabar com um ritmo muito baixo mesmo no final… O Mundial prossegue dentro de duas semanas em Hockenheim, com o G.P. da Alemanha.
#F1Flash #gpGraBretanha


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