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MUNDIAL - SPORT PROTOTIPOS - UMA MENTIRA MILAGROSA - POR JOÃO CARLOS COSTA - COMENTADOR EUROSPORT

Quinta, 14 Fevereiro 2019 10:56 | Actualizado em Domingo, 22 Setembro 2019 21:36


UMA MENTIRA MILAGROSA


À partida para edição 1990 das 24 Horas de Le Mans eram 40 os C1 e IMSA-GTP. Desses havia cinco novos Nissan oficiais, para além da marca japonesa ajudar ainda os team Cougar (Courage) e Le Mans com modelos do ano anterior. Os R90CK estavam na capa do programa, dominavam também os cartazes da prova e a Nissan dava nome a uma das duas novas chicanes que surgiam pela primeira vez na recta das Hunaudiéres. Os responsáveis nipónicos acreditavam que podia ser desta que um carro do País do Sol Nascente ganharia as 24 Horas.
Era grande a vontade do construtor nipónico bater a concorrência. Mas dentro dessa equipa havia também um piloto que só queria ser o mais veloz. Logo nos treinos de quarta-feira os Nissan realizaram os três melhores tempos, com Geoff Brabham, o campeão IMSA, a colocar o Nissan americano na primeira posição, seguido de Kenny Acheson e Mark Blundell. Mas este último tinha uma carta no bolso - um motor de qualificação para usar no início da última sessão, pelas 10 da noite, quando ainda houvesse alguma luz nas pista de La Sarthe. Mil cavalos a empurrar o R90CK do piloto britânico.
Mil cavalos que, afinal, na hora da verdade, não pareciam estar de boa saúde. Assim que o Nissan chegou a Tetre Rouge, David Price (o team-manager) gritava a plenos pulmões, via rádio, para Blundell suspender a volta rápida, por forma a que o V8 não partisse. Mas do outro lado, o britânico continuava de pé a fundo, entre as chicanes da recta das Hunaudieres, depois a caminho de Indianapolis e de Arnage até às chicanes antes da recta da meta.
O motor aguentou mesmo o esforço. Com uma marca de 3m27,02s, o Nissan conquistou a pole. Não fosse a teimosia de Blundell e seria o Porsche de Óscar Larrauri a partir da primeira posição para a 58ª edição das 24 Horas de Le Mans.
Chegado às boxes, ninguém criticou o piloto à vista dos jornalistas. Mas em privado, o senhor Ikusawa e David Price “deram-lhe na cabeça” e com força! Blundell defendeu-se sempre, dizendo que não tinha comunicação rádio.
Meses depois, em privado, nuns testes de F1 no Estoril depois de ter passado para a Brabham, Blundell confidenciou a um pequeno grupo de jornalistas, eu incluído, que afinal o rádio nunca deixara de funcionar. Só que farto dos gritos de David Price e acreditando no destino, desligou-o e concentrou-se na condução. Bem pensado… e ainda melhor executado, apesar do fumo, do cheiro que dava a entender que o pior estava para acontecer, e de alguns barulhos mecânicos que prometiam isso mesmo, a quebra do V8!
Afinal, Deus perdoou a mentira e permitiu que Blundell levasse a tarefa a bom porto. Mas foi quase ao milímetro, pois um dos cilindros acabou por ceder na zona da ponte Dunlop, ou seja no início da volta de desaceleração.
Por um dia, Blundell foi herói japonês, enchendo as primeiras páginas de todos os jornais nipónicos. E passou à História como uma espécie de Kamikaze à moda inglesa…


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