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Moto - Todo o Terreno

MOTOS - VOLTA AO MUNDO COM FRANCISCO SANDE E CASTRO

Quarta, 06 Dezembro 2017 12:52 | Actualizado em Domingo, 17 Dezembro 2017 23:13

Quando saí da Hidroelectrica, junto a Machu Picchu eram três e meia da tarde e por isso decidi ficar na primeira vila, Santa Teresa, onde se chega através de uma estrada de terra que agora percorria em sentido contrario.

Instalei-me num Hotel do centro da vila e dormi uma hora o que nunca faço durante o dia mas a caminhada da manhã tinha-me deixado de rastos.
Ao fim da tarde fui dar um mergulho a umas piscinas que ali têm com água vulcânica quente que sai do fundo de pedras soltas. Fica-se ali estático, como se estivéssemos numa banheira com a água a nascer por baixo e a correr borda fora.
Quando mais tarde saí do Hotel para jantar encontrei na rua o brasileiro com quem tinha estado à conversa em Machu Picchu e jantámos juntos. O homem contou que viveu quinze anos em Itália e tem três mulheres, uma em Itália e duas no Brasil, com as quais tenta dividir o seu tempo. Mas há dois anos foi-lhe diagnosticado um cancro no fígado e depois de um tratamento violento de quimioterapia que quase o matou decidiu parar com o tratamento e partir viajar de moto até ao Canadá. Diz que agora se sente lindamente embora não esteja curado. Despedimo-nos no fim do jantar mas ainda nos voltámos a encontrar na manhã seguinte quando eu tomava o pequeno almoço num café e o chamei ao vê-lo passar do outro lado da rua.
Voltei depois a Cusco pelo mesmo trajecto que tinha feito dois dias antes. Desta vez, felizmente, só apanhei uns pingos de chuva e a meio da tarde estava de regresso à cidade. Liguei ao Eric, que me tinha emprestado a mochila, e passei no seu pequeno clube motard a deixá-la, onde estavam dois rapazes e uma rapariga que tinham vindo de uma cidade perto também visitar Machu Picchu.
Na manhã seguinte parti a caminho de Puno, que fica junto ao lago Titikaka, o mais elevado lago navegável do mundo, a 3800 metros de altitude e com 160 Km de comprimento e uma profundidade que chega a atingir perto de 250 metros.   
Pelas duas da tarde encontrei dois motards com as motos carregadíssimas. Era um Indiano que viajava com uma Iraniana que, por sua vez trazia um Inglês à pendura. O Indiano e a mulher tinham saído da India em Março em duas BMW. Foram até à Australia e depois mandaram as motos de avião para Chicago e estavam agora a descer dos Etados Unidos. Só que a Iraniana decidiu casar-se com o seu namorado Inglês em Cusco e ele, nunca tendo conduzido uma moto, vinha à pendura dela em Lua de Mel. Estivemos um pouco à conversa e depois decidimos seguir juntos até Puno. Passámos por um Argentino que tinha conhecido em Cusco, no clube do Eric, e fiquei um pouco à conversa com ele, de moto para moto, em andamento. Saiu da Argentina há três anos numa pequena 125, equipada com rudimentares malas feitas em chapa, foi até ao Norte do México e só agora estava a regressar a casa. Pelo caminho foi fazendo uns trabalhos aqui e ali, para poder ir continuando a viajar.
Almocei com o Indiano e o casal pelo caminho e chegámos à cidade já de noite. A Iraniana tinha começado a andar de moto há seis anos mas não parecia atrapalhada com todo o peso que carregava na sua 800 bicilindrica.


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