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Moto - Todo o Terreno

MOTOS - VOLTA AO MUNDO COM FRANCISCO SANDE E CASTRO

Sábado, 09 Dezembro 2017 07:27 | Actualizado em Terça, 15 Outubro 2019 08:19

Jantámos num restaurante fantástico em Puno, que o Alex , marido da Iraniana tinha encontrado na internet e no dia seguinte eles seguiram para La Paz e eu preferi ficar a explorar o lago Titikaka,. Fui até ao porto de Puno e apanhei uma lancha que nos levou visitar umas lhas flutuantes, construídas pelos indígenas, que nelas edificam pequenas aldeias. Este arquipélago do lago chama-se Uros e é centenário.

As ilhas são construídas com uma base de paralelepípedos cortados das margens de terra impregnada de raízes que é impressionantemente leve. Esses enormes blocos de 10 metros por 3 são transportados para o local, atados uns aos outros e fixos ao fundo do lago com cabos e âncoras. Com o tempo as raízes crescem e fixam os blocos entre eles. Por cima colocam várias camadas de vegetação seca que formam a base onde constroem as casas de colmo. Os antepassados destes indígenas eram maioritariamente pescadores mas a nova geração dedica-se, principalmente ao turismo, com estes passeios e venda de artesanato.
Viajei a maior parte do tempo na companhia de um simpático casal de miúdos Irlandeses que andavam pelo Peru há meses. Visitámos duas das ilhas e regressámos a terra pelas três e meia da tarde, ainda a tempo de pegar na moto e arrancar a caminho da fronteira com a Bolívia, para visitar o outro lado do lago. Almocei no trajecto e cheguei à fronteira pelas seis da tarde, quando já escurecia e estava perto de fechar. Teve a vantagem de não apanhar filas e quinze minutos depois estava na Bolívia, a caminho de outra vila

junto ao lago, Copacabana.

Instalei-me no primeiro Hotel que encontrei, à entrada da vila e na manhã seguinte perguntei o que havia de transporte para a chamada Ilha do Sol que pretendia visitar. O barco da manhã já tinha partido e por isso decidi ficar mais uma noite no Hotel, almoçar num dos restaurante do porto e partir no barco que saiu à uma e meia da tarde. É hora e meia de viagem através do lago para chegarmos à famosa ilha, a maior do lago, com uma enorme escadaria logo de entrada e trilhos a subir que nos deixam de rastos, pois a ilha está a 4.000 metros de altitude. Mas vale a pena o passeio tanto na ilha como o de barco em que vemos nas margens montanhas com glaciares no topo.
Chegámos de volta a Copacabana pelas seis da tarde. O homem do restaurante onde tinha comido uma lasanha à hora de almoço e me guardara a moto quando da visita à ilha convenceu-me a voltar lá a jantar um peixe, pescado naquela manhã no lago, segundo ele. Que saudades do peixe português que tive depois de jantar aquele que estava seco e mal temperado.
Na manhã seguinte segui a caminho da capital, La Paz. As primeiras dezenas de quilómetros são um passeio lindo, junto às margens do lago, até termos que atravessar uma parte estreita numa barcaça e, na outra margem, começarmos a afastar-nos do lago, continente dentro. Quando cheguei à pequena vila onde estão as barcaças alinhadas para carregarem carros, motos e pessoas que queiram atravessar o estreito não fazia ideia que não havia estrada ou ponte e continuei em frente, atravessando a vila. Só quando entrei numa estreita estrada de terra estranhei e perguntei  a um homem que passava e me ajudou a puxar a moto para conseguir dar a volta. Achei graça porque ao explicar-me que tinha que apanhar a barcaça para seguir para La Paz me disse:
Você não pague mais de 10 Bolivianos (cerca de euro e meio) para atravessar com a moto, que é o preço normal. Se pergunta eles vão pedir-lhe mais por isso não diga nada e, antes de sair na outra margem, estique-lhe uma nota de dez.
Não segui o conselho do homem e perguntei quanto era ao que o barqueiro me respondeu 20 e eu disse que só pagava dez, que era quanto pagava usualmente. A aceitar mal a minha conversa lá me disse.
- Deixe lá ver então se aparecem dois carros para completar a viagem. E lá veio um pequeno camião e um furgão em minha companhia.
Cheguei a La Paz pelas duas da tarde.


Santa Teresa - Peru


Quando saí da Hidroelectrica, junto a Machu Picchu eram três e meia da tarde e por isso decidi ficar na primeira vila, Santa Teresa, onde se chega através de uma estrada de terra que agora percorria em sentido contrario.
Instalei-me num Hotel do centro da vila e dormi uma hora o que nunca faço durante o dia mas a caminhada da manhã tinha-me deixado de rastos.
Ao fim da tarde fui dar um mergulho a umas piscinas que ali têm com água vulcânica quente que sai do fundo de pedras soltas. Fica-se ali estático, como se estivéssemos numa banheira com a água a nascer por baixo e a correr borda fora.
Quando mais tarde saí do Hotel para jantar encontrei na rua o brasileiro com quem tinha estado à conversa em Machu Picchu e jantámos juntos. O homem contou que viveu quinze anos em Itália e tem três mulheres, uma em Itália e duas no Brasil, com as quais tenta dividir o seu tempo. Mas há dois anos foi-lhe diagnosticado um cancro no fígado e depois de um tratamento violento de quimioterapia que quase o matou decidiu parar com o tratamento e partir viajar de moto até ao Canadá. Diz que agora se sente lindamente embora não esteja curado. Despedimo-nos no fim do jantar mas ainda nos voltámos a encontrar na manhã seguinte quando eu tomava o pequeno almoço num café e o chamei ao vê-lo passar do outro lado da rua.
Voltei depois a Cusco pelo mesmo trajecto que tinha feito dois dias antes. Desta vez, felizmente, só apanhei uns pingos de chuva e a meio da tarde estava de regresso à cidade. Liguei ao Eric, que me tinha emprestado a mochila, e passei no seu pequeno clube motard a deixá-la, onde estavam dois rapazes e uma rapariga que tinham vindo de uma cidade perto também visitar Machu Picchu.
Na manhã seguinte parti a caminho de Puno, que fica junto ao lago Titikaka, o mais elevado lago navegável do mundo, a 3800 metros de altitude e com 160 Km de comprimento e uma profundidade que chega a atingir perto de 250 metros.   
Pelas duas da tarde encontrei dois motards com as motos carregadíssimas. Era um Indiano que viajava com uma Iraniana que, por sua vez trazia um Inglês à pendura. O Indiano e a mulher tinham saído da India em Março em duas BMW. Foram até à Australia e depois mandaram as motos de avião para Chicago e estavam agora a descer dos Etados Unidos. Só que a Iraniana decidiu casar-se com o seu namorado Inglês em Cusco e ele, nunca tendo conduzido uma moto, vinha à pendura dela em Lua de Mel. Estivemos um pouco à conversa e depois decidimos seguir juntos até Puno. Passámos por um Argentino que tinha conhecido em Cusco, no clube do Eric, e fiquei um pouco à conversa com ele, de moto para moto, em andamento. Saiu da Argentina há três anos numa pequena 125, equipada com rudimentares malas feitas em chapa, foi até ao Norte do México e só agora estava a regressar a casa. Pelo caminho foi fazendo uns trabalhos aqui e ali, para poder ir continuando a viajar.
Almocei com o Indiano e o casal pelo caminho e chegámos à cidade já de noite. A Iraniana tinha começado a andar de moto há seis anos mas não parecia atrapalhada com todo o peso que carregava na sua 800 bicilindrica.
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