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MOTOS - VOLTA AO MUNDO COM FRANCISCO SANDE E CASTRO

Quarta, 29 Novembro 2017 05:42 | Actualizado em Sábado, 12 Outubro 2019 17:39

Quando aterrámos do passeio de avioneta já eram seis da tarde e decidi, por isso, ficar por Nazca a dormir.

Jantei numa Pizzeria péssima e no dia seguinte arranquei, pelas dez da manhã, a caminho de Cusco. São mais de seiscentos quilómetros de curva e contracurva através dos Andes por isso sabia que não chegaria lá nesse dia. Para além disso havia várias zonas em obras, com a estrada cortada por vezes por mais de meia hora, o que levava ao desespero dos Peruanos que tocavam a buzina e refilavam com o desgraçado que tinha a tarefa de mandar parar o transito. Lembrei-me de quando também fiquei à espera que reparassem uma estrada no Butão durante mais de duas horas sem que houvesse um único protesto. O contraste entre este povo latino e aqueles budistas é realmente abismal embora sejam ambos encantadores.
Pelo caminho, no alto da serra, crianças divertidas a tomarem banho num tanque mínimo e lamas a pastarem.
Pelas duas da tarde parei num restaurante à beira da estrada. Uma barraca e, ao lado, duas improvisadas  mesas corridas de madeira  com um toldo sobre estacas junto a uma tão inesperada quanto fabulosa escarpa com um rio a passar umas centenas de metros abaixo. Um postal sensacional. Os donos estavam a almoçar em família numa das mesas mas logo o homem se levantou, de ementa na mão a oferecer-me um lugar na mesa livre, voltado para aquela vista.
Estavam a assar umas espetadas de carne com batatas e disse-lhe que queria o mesmo acompanhado por uma bebida típica, uma espécie de vinho feito de milho escuro, que ganha a cor de tinto embora tenha muito menos álcool. No fim não me deixaram pagar.
A seguir ao almoço continuei a subir a serra até chegar a um planalto a 4.400 metros de altitude. Custava-me respirar e à moto também. Naquela zona a estrada não tinha movimento nenhum e só esperava não ter um problema antes de começar a descer.
Pelas cinco e meia da tarde cheguei à pequena vila de Lucuchanga e por ali me instalei. Tinha feito mais de quatrocentos quilómetros durante um longo dia. Jantei um frango no restaurante em frente do Hotel e deitei-me cedo. Dormi nove horas de seguida, penso que devido à altitude.
De manhã tomei o pequeno almoço de um ovo estrelado dentro de um pão feito por uma mulher num pequeno carrinho de rua acompanhado de uma bebida quente feita de cereais de que só consegui beber pouco. Custou-me menos de um euro.
Cheguei a Cusco pelas três e meia da tarde. Almocei, instalei-me num Hotel, fui deixar a roupa a uma lavandaria e levantei dinheiro num multibanco. Contactei depois um rapaz local pertencente ao tal grupo sul americano de ajuda motociclista que me tinha ficado de dar indicações de como ir a Machu Picchu. Tinha uma espécie de pequeno clube motard local e encontrei-me lá com ele e amigos depois do jantar. Depois de me aconselhar seguir de Cusco de comboio e eu lhe responder que queria ir de moto, explicou-me como poderia chegar a Matchu Picchu com a moto, pois no Google Maps não aparecem estradas até lá, além de me emprestar uma mochila, sabendo que a parte final do trajecto teria que ser feita a pé, carregando um mínimo de bagagem para um dia, além de água.



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