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MOTOS - VOLTA AO MUNDO COM FRANCISCO SANDE E CASTRO - PERU - AMÉRICA DO SUL

Domingo, 12 Novembro 2017 14:46 | Actualizado em Terça, 12 Novembro 2019 02:42

Quando deixei Mancora em direcção a sul, pela única estrada que existe nesse sentido no Norte do Peru pensava que a paisagem iria ser similar à que tinha encontrado no Ecuador, mas é totalmente distinta. Atravessamos primeiro uma espécie de Savana, que lembra a Africana, com pouca vegetação e rasteira, para depois passarmos para uma parte de verdadeiro deserto.

Por sorte pus gasolina ao sair de Mancora, porque tinha pouca pois fiz os primeiros 150 Km sem encontrar uma bomba de gasolina e apenas duas ou três casas na beira da estrada com ar quase abandonado. No entanto passei por vários poços de petróleo  e, ao longo de parte do percurso, havia um “pipeline”.
A estrada tinha partes bem alcatroadas mas grandes buracos traiçoeiros que surgiam quando menos esperava, alguns no meio de curvas. Tinha que ir com enorme atenção ao piso mas mesmo assim escapou-me uma lomba de velocidade, colocada num sítio totalmente despropositado que, quando a vi não tive sequer tempo de travar mas apenas de me pôr em pé na moto que deu um enorme salto.
Passada a vila de Chiclayo, onde voltei a pôr gasolina, aqui bastante mais cara que no Ecuador, apanhei uma recta com 200 Km através do deserto. Não tinha atestado o depósito porque mais uma vez estava à espera de encontrar aldeias e bombas de gasolina mas não há construções nem vivalma, embora a estrada tenha algum movimento, pois é a famosa Pan Americana, que atravessa a America do Sul. Por volta das duas da tarde parei junto ao único restaurante porque passei. Estavam estacionados uns três ou quatro camiões. À porta, do lado de fora, uma espécie de termos grande com uma torneira, em cima de um banco, servia para os clientes lavarem as mãos. Galinhas passeavam no chão de terra à volta do estabelecimento, certamente com os dias contados para entrarem na panela. Quando entrei senti-me um personagem daqueles filmes americanos passados no Texas, com os cowboys de chapéu e de talheres na mão a tirarem os olhos do prato para olharem para o forasteiro que acabava de chegar. Só que aqui eram camionistas e não tinham chapéu.
Não havia água corrente mas o cabrito estufado que comi com arroz e feijão não estava mau. Trazia uma laranja na moto, que me tinham oferecido uns dias antes, que fez de sobremesa.
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