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COMÉRCIO & INDUSTRIA - MICRO E PEQUENAS EMPRESAS

Quinta, 05 Setembro 2019 10:01 | Actualizado em Quarta, 23 Outubro 2019 02:59

Micro e pequenas empresas estão a ficar para trás no atual ciclo económico

Mas porquê?
Segundo o INE, as empresas portuguesas estão a investir mais em 2019, com exceção das micro e pequenas empresas. Baixa capacidade de autofinanciamento é a principal razão apontada.
 
Investimento empresarial deverá crescer 3,7% em 2019.

Segundo um recente inquérito do INE, as empresas portuguesas perspetivam um aumento nominal de 3,7% do seu investimento em 2019. Este valor revela uma melhoria da conjuntura económica em Portugal e oferece robustez às perspetivas de crescimento económico para os próximos meses.
 
Contudo, e apesar da boa conjuntura, as micro e pequenas empresas continuam com dificuldades em investir. E muito devido à falta de financiamento.
 
O inquérito do INE revela ainda que as micro e pequenas empresas estão incapazes de investir no atual ciclo económico (em comparação com empresas de maior dimensão). Esta situação já dura desde 2018 e é particularmente preocupante dado que estas empresas representam cerca de 40% do emprego em Portugal.
 
O inquérito identifica 3 principais fatores que limitam o investimento das micro e pequenas empresas:

• deterioração das perspetivas de vendas (2017 e 2018 foram anos muito bons);
• incerteza sobre a rentabilidade dos investimentos;
• fraca capacidade de autofinanciamento - o que faz com que precisem de obter financiamento externo, o que nem sempre é fácil.
 
Financiamento bancário muito focado no curto-prazo… o que dificulta o investimento.
 
De acordo com o Banco de Portugal, as empresas nacionais continuam muito dependentes do financiamento de curto-prazo (prazos até 1 ano). Este foco no curto-prazo tem um efeito prejudicial nos novos investimentos e no crescimento da economia - em particular das empresas mais pequenas. Atualmente, apenas 8% dos novos empréstimos bancários têm um prazo superior a 1 ano (ou seja, são adequados para a realização de investimentos).

Nos empréstimos de longo-prazo, a maioria dos bancos exige uma garantia do Estado (através da Lisgarante, Norgarate, Garval ou Agrograrante), o que torna os processos mais demorados e burocráticos. Quando não existem apoios do Estado, o financiamento bancário vem no formato de contas correntes, livranças ou contas de pré-datados/factoring. Alguns destes mecanismos obrigam a renovações recorrentes que muitas vezes acarretam custos, tempo e disponibilidade de gestão.


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