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Portugueses no estrangerio -

PORTUGUESES NO ESTRANGEIRO - ELISABETE JACINTO FALA DO PROXIMO AFRICA RACE

Segunda, 02 Julho 2018 19:57 | Actualizado em Quarta, 18 Julho 2018 08:46



Elisabete Jacinto: Muito trabalho, dedicação e perseverança para fazer muito com pouco

 

Elisabete Jacinto é a única mulher a competir nos ralis de todo-o-terreno internacionais em camião e já tem confirmada a sua participação na edição de 2019 do Africa Eco Race, uma das mais duras e complexas provas de todo-o-terreno da atualidade. São cerca de 6500 km de distância, entre os quais 4500km disputados ao cronómetro e foi desenhado pelo lendário piloto francês Rene Metge. Para isso  a equipa de Elisabete Jacinto está a reformular o seu camião para garantir que é desta que chega ao tão ambicionado pódio.

 

 

Com participação nos maiores ralis africanos – O Morocco Desert Challenge – e no África Race 2018, como está a correr esta temporada à equipa?

 

Elisabete Jacinto: Começamos bastante mal no África Race onde se partiu o diferencial e tivemos que desistir muito cedo, como não estou habituada a passar por estas situações foi um desgosto enorme. Vamos agora fazer um trabalho muito grande de recuperação do motor do camião. Mas, se o principio foi mau, este rali que fiz em abril já correu melhor. Decidimos parar para repensar, arregaçar as mangas e fazer uma manutenção muito boa ao camião. Sempre tive um equilíbrio muito grande em que tentava compensar o desgaste do material com a manutenção, mas depois quis andar mais depressa, melhorei o motor, os amortecedores e comecei a carregar no acelerador, como resultado as peças começaram a partir mais depressa. Assim tive que aprender a fazer manutenção mecânica… por isso tivemos agora a abrir a caixa de velocidades, o diferencial da frente e muito trabalho para fazer. O nosso objetivo é chegar ao África Race 2019 com um camião muito sólido e fiável e fazer uma corrida excelente.

 

Considera que está a cumprir o seu sonho ou ainda há muito caminho a percorrer?

 

EJ: O meu sonho a minha meta ao longo destes anos todos era chegar ao topo da classificação geral, muito próximo dos lugares do pódio e acabar por ser reconhecida como um bom piloto. Agora cheguei à conclusão que estou nesse ponto, ou seja, acho que sou tão rápida como os outros pilotos que lá andam. Agora tenho é que provar isso através dos resultados desportivos que está a ser difícil para mim.

 

Qual é então o seu grande objetivo para 2019?

 

EJ: Para 2019, o grande objetivo é o pódio. É essa a minha meta e é para isso que trabalho sempre e quando não consigo lá ficar perto fico bastante deprimida e foi porque as coisas correram mal.

Sei que não tenho os meios que eles têm, o meu camião já é de 2009, não tenho a verba que eles têm, mas na realidade, acho que sou capaz de fazer melhor. Precisava era de uma golpada de sorte boa para as coisas me correrem bem e é isso que me falta, pode ser que o consiga no próximo Africa Race, em 2019 que é a 10ª participação e que pode ser o número da sorte.

 

Para chegar até onde cheguei  e aos resultados que gostava de alcançar se calhar tenho que passar por uma série de situações para aprender a gerir e a conseguir aquele equilíbrio que é necessário de um piloto que é rápido. É esse traquejo que ainda não tinha, para andar no topo precisamos de muita  coisa, muitos pormenores a ter em conta e isso tem que se aprender.

 

Mas, ainda assim consegue ter os resultados que tem com os meios de que dispõe comparados com os grandes meios de outras equipas internacionais?

 

EJ: Primeiro porque gosto muito daquilo que faço e se não fizer com poucos meios nunca o vou fazer porque nunca vou ter grandes meios. Tenho que rentabilizar ao máximo o que tenho. Nesta equipa estou eu e o meu marido, um mecânico que trabalha connosco o ano inteiro e conseguimos muito bem usar o que temos, somos muito racionais nas despesas e rentabilizamos muito o que fazemos. Trabalhamos todos muito, às vezes até é excessivo o que tentamos fazer para conseguir ter  bons resultados. Às vezes esticamos tanto a corda que o elástico parte-se  e as coisas correm-nos mal também. Mas, tudo isso passa por uma grande dedicação e empenho de toda a equipa. Não somos engenheiros de mecânica, eu e o Jorge somos professores de geografia e o mecânico também é só mecânico não é engenheiro e há muita coisa que precisávamos de ter mais conhecimento e alguma ajuda porque nem sempre decidimos da melhor forma. Fazemos muito com muito pouco.

 

 

Qual é a grande dificuldade de conduzir um camião?

 

EJ: Não há dois camiões iguais, cada um é único, não há peças à venda pelo que temos que ser nós a desenhar as peças, mandar construir, colocar e depois é o desenho que está mal feito e a peça não cabe, ou bate num sítio que não devia e parte, depois temos que voltar a reformular e entretanto já passaram não sei quantos meses até à próxima corrida e é assim que as coisas se fazem com muito trabalho, perseverança, empenho e dedicação.

 

 Entrevista de Paula Lamares/ JLpress e fotos de João Lamares /JLpress - www.velocidadeonline.com

 

 


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