OBSERVAÇÕES IMPORTANTES POR PARTE DO PILOTO FRANCISCO MACEDO SOBRE ESTE CAMPEONATO

Depois de um ano a competir e de outros dois a acompanhar de perto o Campeonato Nacional de Montanha, não posso deixar de pensar que há algumas coisas que têm de ser revistas. E já nem utilizo o termo “devem”, porque, na minha opinião, algumas destas alterações começam mesmo a ser necessárias.

Há pequenas questões que já foram faladas, mas que, de certa forma, acabaram por cair no esquecimento. Outras, apesar de terem sido discutidas e de serem motivo de descontentamento por parte de vários intervenientes, parecem ter sido ignoradas ou menosprezadas.

Comecemos pelo aumento do custo de participação e pela eliminação de uma subida por fim de semana, uma das novas medidas para a época de 2026.

Apesar de ser uma modalidade maioritariamente amadora, sustentada muitas vezes, e em grande parte, pelos próprios concorrentes, este ano decidiu-se retirar uma subida do programa de cada prova. A justificação apresentada foi a de que nem todos os concorrentes a utilizavam. No entanto, para quem está a começar, para quem participa pela primeira vez ou simplesmente para quem gosta de aproveitar ao máximo um fim de semana de competição, essa subida faz muita falta.

Com esta medida, e apesar dos valores já elevados praticados, acabamos por ter menos quilómetros de competição ao longo de um fim de semana de prova.

Em segundo lugar, o próprio preço das inscrições.

Em Portugal, dependendo da categoria, os valores de inscrição rondam os 500 € (sem IVA), mesmo para os sócios da APPAM. Já na nossa vizinha Espanha, os valores rondam os 250 €.

A juntar a esta diferença, existe ainda outra questão: em Portugal não há prémios monetários, enquanto em Espanha existem prémios para os vencedores da classificação geral e das respetivas categorias.

Naturalmente, podem existir diferenças na organização e nos custos associados a cada campeonato, mas penso que esta discrepância merece, no mínimo, uma reflexão.

Passando às categorias, este é outro tema que me parece merecer uma revisão.

Este ano, em conversa com vários pilotos, fui percebendo que existe um descontentamento generalizado relativamente à divisão das classes.

Apesar de algumas críticas se centrarem nas classes de SC, compreendo que estes grupos possam ser mais difíceis de organizar, uma vez que englobam carros fora de homologação. No entanto, noutras categorias, algumas delas bastante disputadas, como é o caso dos Legends, penso que faria sentido implementar uma nova divisão, à semelhança do que acontece na Velocidade.

Atualmente, nos Legends, temos uma classe até 1300 cc e outra acima dessa cilindrada. Na minha opinião, faria sentido dividir a classe superior, criando um escalão até 2000 cc e outro acima dos 2000 cc.

Apesar de existirem carros muito bem preparados neste intervalo de cilindrada, não me parece que seja uma competição verdadeiramente equilibrada colocar carros de 1600 cc a competir diretamente com carros de 3200 cc, nas mesmas condições de classificação.

Desta forma, poderíamos passar a ter três categorias dentro dos Legends, permitindo uma competição mais equilibrada e dando mais possibilidades a diferentes tipos de carros.

Penso também que poderia existir uma taça para o primeiro classificado entre os carros até 1000 cc. Atualmente, estes carros têm uma desvantagem considerável ao competir na classe até 1300 cc, pelo que mereciam algum tipo de reconhecimento. Acredito que uma medida destas poderia até incentivar a participação de mais concorrentes nesta divisão.

Outro ponto que me deixa relativamente frustrado é a forma como são apresentadas as classificações.

Temos provas com 80 e tal inscritos, mas, quando consultamos a classificação final, encontramos apenas cerca de 40 participantes na tabela da classificação geral.

Isto acontece porque nessa tabela não constam os Clássicos, os Legends, os Fórmulas e os Kartcross.

Faz-me confusão e considero pouco adequado a classificação geral de uma prova não incluir todos os participantes do evento, independentemente da categoria em que competem. Só nas tabelas seguintes deveria existir a separação por classes e categorias.

Afinal, todos fazem parte da mesma prova e todos contribuem para o espetáculo que é o Campeonato Nacional de Montanha.

Por fim, considero que deveria existir uma cobertura e transmissão mais aprofundada em todas as provas.

Algumas organizações já fazem um bom trabalho neste sentido, mas nem todas o fazem e, mesmo entre aquelas que asseguram alguma transmissão, nem sempre existe uniformidade nos moldes em que esta é realizada.

Penso que deveria existir uma transmissão de todas as subidas, com cobertura em diferentes pontos do percurso, permitindo acompanhar melhor a evolução da prova e dar visibilidade a todos os concorrentes.

Para além disso, as próprias plataformas do campeonato poderiam ser mais utilizadas para divulgar a modalidade, dar a conhecer os pilotos, os carros, as equipas e as histórias por detrás de cada participação. E não apenas durante os fins de semana de prova, mas de forma regular e diversificada ao longo de toda a época.

Com tudo isto, há uma coisa que continua a não mudar: o meu lugar continua a ser na Montanha!

É a minha modalidade favorita, apesar de ser uma das vertentes do automobilismo em que menos se anda e que, atualmente, apresenta uma das relações preço/tempo de competição mais elevadas.

A diversidade de carros, as pessoas com quem nos cruzamos, os locais por onde passamos e todo o ambiente envolvente são características que ainda não encontrei noutras vertentes do automobilismo.

Não escrevo isto por estar descontente com a modalidade em si, muito pelo contrário. Escrevo porque gosto da Montanha, porque quero continuar a fazer parte dela e porque acredito que há margem para melhorar.

No fundo, são opiniões e sugestões de alguém que vive a modalidade do lado de dentro, que gosta de competir e que gostaria de ver o Campeonato Nacional de Montanha crescer, evoluir e atrair cada vez mais concorrentes.