O jovem lousadense encerrou a época de estreia na Porsche Sprint Challenge Ibérica no Top 5 da Classe Silver e no oitavo lugar absoluto, entre cerca de três dezenas de pilotos. O pódio alcançado na Grand Finale do Estoril confirmou a evolução demonstrada aos comandos do Porsche 911 GT3 Cup #19 da LOB Motorsport, partilhado com Henrique Cruz.
A química foi imediata, mas a consciência da dificuldade também. Quando Duarte Camelo se sentou pela primeira vez ao volante do Porsche 911 GT3 Cup, percebeu rapidamente que tinha diante de si a máquina mais exigente da sua ainda jovem carreira.
A potência, a travagem, a gestão dos pneus e, sobretudo, a intensidade competitiva de uma competição na qual ninguém oferece um centímetro obrigaram o piloto de Lousada a acelerar o seu processo de aprendizagem.
Numa época vivida entre naturais dificuldades, resultados promissores e alguns contratempos, Duarte foi construindo uma evolução consistente, apoiado pela LOB Motorsport, pelo mentor Manuel Alves e pelo companheiro de equipa Henrique Cruz. O resultado final traduz essa progressão: oitavo lugar da geral e presença no Top 5 da Classe Silver, num campeonato que reuniu três dezenas de pilotos ao longo da temporada.
É hora de balanço para o talento lousadense.
Chegaste à Porsche Sprint Challenge Ibérica como um dos jovens estreantes de 2026. Quando te sentaste pela primeira vez no Porsche, imaginavas concluir o ano a discutir os lugares cimeiros? Que balanço fazes?
A primeira vez que me sentei no carro senti imediatamente uma química muito boa. Ao mesmo tempo, percebi que teria de testar e treinar bastante para que os resultados aparecessem. É um carro muito exigente, sobretudo para mim, que ainda estou a dar os primeiros passos na competição.
Quando entramos num campeonato com este nível, esperamos sempre conseguir bons resultados e eu não sou exceção. Ainda assim, o balanço tem um sabor agridoce. Houve corridas que não decorreram como esperávamos e alguns resultados ficaram aquém daquilo que sentíamos ser possível. Por outro lado, a LOB Motorsport colocou à nossa disposição uma equipa de grande qualidade e todas as condições necessárias para evoluirmos.
A potência, a travagem, a gestão dos pneus e a exigência competitiva obrigam a uma aprendizagem permanente. Qual foi a maior dificuldade encontrada na adaptação?
Sem dúvida, a própria competição dentro de pista. Todos os pilotos têm muita qualidade e obrigam-nos a dar o máximo desde o primeiro minuto até à última volta. Existe uma enorme competitividade, ninguém facilita e todos estão presentes com o objetivo de vencer.
Foi necessário aprender a lidar com essa intensidade, perceber melhor os momentos das corridas e encontrar o equilíbrio entre atacar, defender e gerir. Sinto que fui evoluindo precisamente nessa capacidade de competir.
Contaste também com Manuel Alves como mentor. Como nasceu essa relação e o que representa aprender diretamente com um bicampeão da Porsche Sprint Challenge Ibérica?
É claramente um privilégio contar com o Manuel, tanto pela sua experiência como pela amizade e pelo enorme respeito que tenho por ele. Possui provas mais do que suficientes para ser visto com admiração.
Na realidade, estou na LOB Motorsport e no Porsche 911 GT3 Cup por recomendação e incentivo dele. Temos um grupo de pilotos e amigos que se encontra ocasionalmente em momentos de convívio. Foi assim que conheci melhor o Manuel, começámos a partilhar algumas conversas e ele falou-me várias vezes deste campeonato.
Através dele, reuni com o Carlos Daniel e acabámos por chegar a um acordo. No final desta primeira temporada, só posso dizer ao Manuel: obrigado pelo conselho. Foi uma decisão muito importante para a minha evolução.
Ao longo da temporada partilhaste o Porsche #19 com Henrique Cruz. Como funcionou a parceria entre dois jovens pilotos?
Já conhecia o Henrique do FPAK Júnior Team de Velocidade, que integrámos em conjunto. O pai do Henrique chegou também a falar com o meu pai para irmos testar um protótipo LMP em Barcelona. Estava tudo acertado, mas, precisamente nesse dia, tive um exame e não me foi possível participar.
Quando surgiu esta oportunidade, a LOB Motorsport perguntou-nos se já nos conhecíamos e o que achávamos da possibilidade de formarmos uma dupla. Respondi imediatamente que sim. Nunca existiu uma competição direta entre nós dentro da equipa. Partilhámos sempre a informação e aquilo que cada um tinha de melhor, procurando ajudar-nos mutuamente e desejando que ambos conseguíssemos os melhores resultados possíveis.
Na Corrida 3 da Grand Finale do Estoril conquistaste o terceiro lugar absoluto, depois de resistires a uma forte pressão. Como viveste essa corrida e as últimas voltas?
Fiz essa corrida “de faca nos dentes”, como se costuma dizer na gíria automobilística. Estava um pouco desiludido com o meu desempenho na Corrida 1, porque sentia que tinha potencial para alcançar um resultado melhor, naturalmente com todo o respeito pelos meus adversários.
Encarei a Corrida 3 decidido a demonstrar aquilo que podia fazer. Vivi as últimas voltas com muita emoção, porque estavam presentes os meus pais, vários amigos e toda a equipa.
Acima de tudo, sentia que a LOB Motorsport merecia ser recompensada com um excelente resultado por todo o trabalho realizado ao longo da temporada. Subir ao pódio absoluto no Estoril foi uma forma muito especial de agradecer esse esforço.
Sendo natural de Lousada, sentiste o apoio de uma terra profundamente ligada ao desporto automóvel?
Lousada é uma terra com uma enorme paixão pelo automobilismo e sei que tenho lá muitas pessoas que acompanham o meu percurso e vibram com os meus resultados. Esse apoio é muito importante e dá-me ainda mais vontade de continuar a trabalhar e a evoluir.
Representar uma terra com tanta tradição no desporto automóvel é também uma responsabilidade, mas é sobretudo um enorme orgulho.
Já estás a trabalhar na temporada de 2027? A continuidade na PSCI e a possibilidade de conduzires o novo Porsche 992 Cup estão nos teus planos?
Já estamos a trabalhar na procura de apoios que me permitam continuar a competir em 2027. Ainda não sei em que campeonato estarei, mas gostei imenso do Porsche 992 GT3 Cup e vejo com muito bons olhos a possibilidade de continuar. O 992 Cup será naturalmente um sonho para qualquer piloto. No entanto, sinto que ainda tenho muito para aprender com o 992.1. Aquilo que desejo verdadeiramente é continuar a competir, seja com uma geração ou com a outra.
Neste momento, estou também na universidade, que me ocupa bastante tempo. Durante esta época, houve fins de semana em que cheguei ao circuito e entrei praticamente direto para a qualificação, sem conseguir realizar todo o trabalho de preparação que gostaria. A temporada terminou agora e a LOB Motorsport terá certamente uma palavra muito importante na decisão sobre o futuro. Vamos analisar todas as possibilidades.
A quem gostarias de agradecer no final desta primeira temporada?
Quero agradecer aos meus patrocinadores e, de uma forma muito especial, aos meus pais e aos meus irmãos. Todos fazem um enorme sacrifício para que eu possa continuar a concretizar este sonho. Quero também agradecer à LOB Motorsport, a todas as pessoas que trabalharam connosco, ao Manuel Alves, ao Henrique Cruz e a todos os que me apoiaram durante a temporada.
Deixo ainda os meus parabéns à V+ pela cobertura realizada nos fins de semana de corrida e pela forma profissional, conhecedora e emotiva como leva a Porsche Sprint Challenge Ibérica até ao público.






